Detalhes da Recolha
Recolhida: 2026-04-05
Recolhida por: Pedro Lima
Região: Coimbra
Nascimento: 1950s
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José
1950s · Coimbra
“Era estudante em Coimbra em 1973. A universidade era um lugar de resistência sussurrada. Reuníamo-nos em caves para ouvir música proibida e ler livros proibidos.”
Era estudante em Coimbra em 1973. A universidade era um lugar de resistência sussurrada. Reuníamo-nos em caves para ouvir música proibida e ler livros proibidos. A PIDE tinha informadores em todo o lado — às vezes o teu melhor amigo, às vezes o teu professor. Aprendias a falar em metáforas, a não confiar completamente em ninguém.
No dia da Revolução dos Cravos, estava no refeitório quando alguém entrou a gritar “Está a acontecer!” Corremos para as ruas. Os soldados tinham cravos nos canos dos fuzis. Chorei. Nunca tinha visto esperança assim, não daquela forma. Não à luz do dia. Não sem medo.
Os meus pais chamaram-me tolo por celebrar. Tinham medo que o regime voltasse. Durante semanas, não saíam de casa. Mas eu sabia. Algo se tinha aberto que não podia voltar a fechar-se.
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1930s · PortoRecordo o silêncio em nossa casa quando o meu pai voltou do interrogatório da PIDE. Nunca falou do que lhe perguntaram. Mas o tremor nas mãos durou anos.
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