O Mundo em Que Viviam

Historical photograph from Estado Novo era

Um ajuntamento durante a era do Estado Novo. Estas fotografias muitas vezes escondiam mais do que revelavam.

O Estado Novo foi um regime autoritário fascista que governou Portugal de 1926 a 1974. Construído sobre três pilares — Deus, Pátria e Família — era um sistema que exigia conformidade em troca de uma aparência de estabilidade.

O regime isolou Portugal do resto da Europa enquanto o continente se reconstruía após a Segunda Guerra Mundial. A oposição política era suprimida pela polícia secreta, conhecida como PIDE. Os cidadãos viviam sabendo que os seus vizinhos podiam ser informadores, que as suas cartas podiam ser lidas, que uma palavra descuidada podia levar a uma prisão à meia-noite.

A imprensa era censurada. Livros eram proibidos. Intelectuais, artistas e dissidentes eram presos ou forçados ao exílio. Enquanto isso, Portugal agarrava-se ao seu império colonial em África, enviando jovens para guerras brutais em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau — guerras que eventualmente ajudariam a derrubar o regime.

Tudo terminou a 25 de abril de 1974 — a Revolução dos Cravos. Um golpe militar pacífico, liderado por jovens capitães que tinham combatido nas guerras coloniais, restaurou a democracia em Portugal. Cravos vermelhos foram postos nos canos dos fuzis. O povo chorou nas ruas. E após quase cinquenta anos, o silêncio finalmente foi quebrado.

Seis Momentos que Moldaram uma Nação

1926

Golpe Militar

Um golpe militar estabelece uma ditadura em Portugal, derrubando a Primeira República democrática. O país entra num longo período de regime autoritário.

1933

Constituição do Estado Novo

António de Oliveira Salazar cria a constituição do Estado Novo, formalizando um estado corporativista inspirado no fascismo, construído sobre os pilares de Deus, Pátria e Família.

1945

Isolamento Continua

Enquanto a Segunda Guerra Mundial termina na Europa, Portugal permanece isolado sob o regime de Salazar. Enquanto o fascismo cai em Itália e na Alemanha, aprofunda as suas raízes em Portugal.

1961

Início das Guerras Coloniais

Movimentos armados de independência irrompem em Angola, e Portugal mergulha em guerras coloniais brutais em África que durariam mais de uma década e esgotariam a nação.

1968

Queda de Salazar

Salazar sofre um acidente vascular cerebral e fica incapacitado. Marcello Caetano assume o poder, mas o regime continua as suas políticas de censura, repressão e guerra colonial.

1974

Revolução dos Cravos

A 25 de abril, um golpe militar pacífico restaura a democracia. Cravos vermelhos são colocados nos canos dos fuzis dos soldados — a revolução que pôs fim a quase 50 anos de ditadura.

Por Que as Histórias Pessoais Importam

Os livros de história registam acontecimentos. Registam datas, leis, batalhas e tratados. Mas raramente registam o peso de os ter vivido

Não contam sobre o silêncio que caía sobre uma mesa de jantar quando alguém mencionava política. Não descrevem a forma como as mãos de uma mãe tremiam ao queimar uma carta do filho exilado. Não conseguem captar o tom exato do medo nos olhos de uma criança a ver o pai ser levado por homens de casacos escuros.

Estas são as memórias que este arquivo existe para preservar. Não a história oficial — a história humana. A história de pessoas comuns que sobreviveram a tempos extraordinários.

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